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NOTÍCIAS Investimento em NPLs em Portugal
O investimento em NPLs (Non Performing Loans – expressão anglo-saxónica para créditos em incumprimento) em Portugal tem sido efetuado quase exclusivamente por investidores qualificados estrangeiros com ampla experiência neste sector. É um ramo de atividade pouco conhecido e publicitado pois as entidades vendedoras de carteiras de crédito requerem muita discrição na hora de vender, limitando os concursos para a sua aquisição aos players habituais de mercado. Nesse sentido, pouco se sabe sobre estas transações. Algumas entidades chegam a limitar as vendas de carteiras a um único investidor com o qual mantêm uma relação estreita de entendimento e cooperação passada. Por outro lado, convém igualmente referir que o universo de investidores dispostos a investir neste sector ainda é bastante limitado sobretudo nos portfolios de grande dimensão.

Quando falamos com os responsáveis da grande maioria das entidades financeiras a operar em Portugal, é muito comum ouvir que não têm problemas de crédito, que pelo contrário têm uma qualidade de crédito muito boa devido a políticas de concessão de crédito muito rigorosas, e que por isso não anteveem vendas de carteiras de crédito, tendo as vendas do passado sido exceções à prática habitual, o que torna difícil muitas vezes descortinar quais as verdadeiras intenções dessas entidades financeiras. E este é um dos entraves a um maior interesse por parte de outros investidores: é muito difícil controlar o timing no fluxo de oportunidades de investimento ao invés do que se passa em muitas outras classes de ativos. 

No entanto, as alienações de portfolios de NPLs em Portugal são operações mais frequentes do que se pensa e com tendência a aumentar no curto prazo devido ao crescente nível de delinquência no sector bancário fortemente correlacionado com a situação económica que o país atravessa. As carteiras poderão ser de variados montantes, ter ou não ter garantias associadas aos créditos, e constituídas por créditos a pequenas empresas ou a particulares. Estamos a falar de crédito ao consumo, cartões de crédito, crédito conta corrente, crédito hipotecário, entre outros.

Numa altura em que o mercado de ações apresenta uma volatilidade muito acima dos níveis de volatilidade passada e além disso começa já a apresentar múltiplos historicamente altos, acredito que investir neste momento em ações apresenta um risco crescente. Por outro lado as taxas de juro estão a níveis muito baixos, implicando uma taxa de juro real negativa à maioria dos ativos sem risco nos países desenvolvidos. Esta realidade associada ao facto dos bancos centrais das zonas mais ricas do planeta aplicarem políticas de expansão monetária, reforça a ideia das yields tenderem a diminuir ainda mais e forçando os investidores a escolherem ativos com mais risco na busca de rentabilidade. Isto trará algum suporte ao mercado de ações no curto prazo mas não significa que o sustente a longo prazo. É esta realidade que me faz pensar que o sector dos NPLs poderá trazer algo que o mercado precisa: rentabilidades esperadas altas e efeito de diversificação. O risco inerente será sempre mitigado pela correta avaliação do ativo e segmentação da carteira de maneira a se poder prever o seu comportamento com base em séries históricas comparáveis. Comparativamente com o mercado de capitais tem a desvantagem da pouca liquidez e de o investimento ser realizável a médio longo prazo. É um investimento que está intimamente ligado com os ciclos económicos e que reflete atualmente os níveis de desconto a que investidores estão dispostos a investir em Portugal. Assim sendo, a expectativa duma maior cooperação e solidariedade europeia e do início de crescimento da economia portuguesa em 2/3 anos irá certamente influenciar positivamente o comportamento destes ativos e provavelmente assistir-se-á a uma realidade bastante mais positiva do que o projetado atualmente.

Espero e antevejo um crescente apetite por parte dos investidores por este mercado pouco conhecido mas apetecível. Não será expectável que represente uma parte substancial do bolo de gestão de ativos financeiros, mas sim uma pequena franja com o intuito de dar yield picking a uma carteira corretamente diversificada.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
10/05/2013
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