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NEWS Investimento em NPLs - Comparação com Obrigações de Dívida
Os investidores não institucionais e institucionais, na sua grande maioria, recorrem a obrigações tanto de dívida corporate como de dívida pública na hora de investir uma parte substancial do seu portfolio. Esta classe representa a maior fatia de investimento transacionado no mercado de capitais, existindo obrigações de todo o tipo de emitentes, com variados ratings e perfis de risco, podendo ser de taxa fixa ou variável, sendo que esta última está normalmente associada a maturidades mais curtas.

Uma obrigação corporate de longo prazo e com baixo rating, preferencialmente do sector financeiro poderia ser um título de certa maneira comparável com investimentos em NPLs (Non Performing Loans – expressão anglo-saxónica para créditos em incumprimento). Representam ambos títulos de dívida, embora uma obrigação corresponda a dívida de um emitente específico e que normalmente enquanto transacionado no mercado de capitais estará “performing”, ou seja, o emitente não deixou de reembolsar nenhuma das prestações obrigatórias até à data. Se falamos de uma entidade financeira enquanto emitente, poderemos dizer que esta obrigação estará indiretamente correlacionada com portfolios de dívida variados já que o core de qualquer banco será emprestar crédito à economia. A maioria das grandes emissões de dívida são emissões com elevada liquidez, embora existam emissões de pouco volume transacionadas no mercado OTC e por isso com liquidez mais reduzida.

Um portfolio de NPLs representa um risco direto a um conjunto de pequenos devedores que se encontram em situação de incumprimento. Estas carteiras são compradas a um enorme desconto relativamente ao seu valor nominal e como tal o risco deixa de ser o incumprimento para passar a ser o de se conseguir recuperar os montantes previstos, quer através de acordo amigável, quer através de litigação judicial.

Assim, relativamente a qualquer obrigação, o incumprimento de uma carteira de NPLs encontra-se diversificado num universo de milhares de processos enquanto a obrigação está confinada a um devedor.  A recuperação de um portfolio de NPLs será muito mais rápido e exequível que um processo de insolvência e posterior recuperação de uma dívida corporate. Como tal o cenário de possível default de um emitente de obrigações será um cenário catastrófico e com perdas esperadas grotescas. A probabilidade desse cenário acontecer está refletida no rating. Mas o sistema de ratings é falível, para não dizer mais, e foi essa destorção que originou a tão conhecida crise do mercado de subprime nos EUA que surte efeitos até aos dias de hoje. A “yield” implícita numa obrigação está dependente desse rating e por isso mesmo, se a realidade do emitente e da emissão não for totalmente compreendida pela agência de rating, então o investimento poderá ter um retorno deficitário face ao risco incorrido. Esta realidade é complexa de compreender para o investidor comum e por isso o rating é de extrema importância.

O investimento em NPLs é mais intuitivo. O investimento consiste em comprar contratos de dívida, podendo variar a antiguidade do incumprimento, compreendendo ou não ação judicial e a existência ou não de garantias associadas. A realidade dum portfolio de NPLs poderá ser facilmente compreendida por qualquer investidor, mesmo não especializado. É um investimento com reduzida liquidez uma vez que não transaciona em nenhum mercado organizado embora haja cada vez mais um leque maior de potenciais investidores a olhar para este setor e podendo surgir oportunidades de revenda de carteiras o que trará eventualmente alguma liquidez no futuro. Além disso é um investimento a médio e longo prazo mas com a perspetiva de que a maior fatia de rentabilidade se esgota nos primeiros 4 anos, sendo crescentemente residual a partir desse ano.

Em suma, eu acredito que o investimento em NPLs apresenta um binómio retorno/risco mais interessante que o investimento em obrigações, especialmente neste momento de níveis baixíssimos de taxas de juro, e além disso com bastante mais informação acerca da performance da carteira/investimento para o investidor numa base regular, sendo que um investimento não invalida o outro e uma carteira bem diversificada pode abarcar as duas classes de ativos.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
24/05/2013
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