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NEWS Investimento em NPL - oportunidade na crise
A crise financeira e económica em que o país se encontra apresenta enormes desafios para os agentes económicos a operar em Portugal, especialmente para os bancos que viram os seus níveis de delinquência aumentarem para níveis recordes e ao mesmo tempo viram a sua atuação ser severamente impactada pela nova regulamentação bancária. Os mais altos rácios de capital e os menores rácios de transformação agora exigidos diminuem drasticamente a rentabilidade dos capitais próprios das instituições financeiras, que já se encontravam afetados com o crescente nível de provisionamento a acompanhar a degradação dos ativos bancários.

O cumprimento destas novas métricas obrigaram alguns grandes bancos portugueses a recorrerem à Bank Solvency Support Facility (“BSSF”) para se capitalizarem e alguns outros  a aumentos de capital pelos seus acionistas. Esta nova linha de crédito como o funding que tem vindo a disponibilizar o Banco Central Europeu, deram liquidez e mais tempo aos bancos para se reestruturarem e irem resolvendo os seus problemas. Assim, a desalavancagem que se antecipava que fosse acontecer a ritmos elevados, não tem acontecido devido às razões já mencionadas. Além disso, os bancos pressionados a aumentar a sua rentabilidade, tendem a resistir à venda de ativos com descontos substanciais. Desta maneira, alguma desalavancagem tem acontecido essencialmente com dívida performing, onde o desconto é menor e o impacto no P&L reduzido. Aliás, algumas transações aconteceram com financiamentos em regime de project finance no sector das infraestruturas. As maturidades longas financiadas por funding de curto prazo provocaram mismatching de balanço e implicaram rentabilidades decrescentes, também agravadas pelas novas regras da Basileia que obrigam a uma maior alocação de capital. Com estas transações os bancos visaram libertar capital e também poder participar em operações com maturidades mais reduzidas e spreads atualizados face às novas perspetivas de risco.

Este panorama tem frustrado as perspetivas otimistas dum mercado de venda de NPLs muito ativo no curto prazo. Os níveis de NPLs não param de crescer no balanço das instituições financeiras - segundo o Banco de Portugal atingiram cerca de EUR 13,2 milhões em Fevereiro de 2012, dos quais EUR 4,9 milhões correspondem a créditos de particulares. Mas mesmo assim, muitos bancos têm resistido à venda de portfolios de NPLs, sobretudo créditos a particulares, por se tratar de carteiras mais pequenas e com um muito maior número de processos, sendo os menos prioritários a nível de atuação dos respetivos departamentos de recuperação de crédito.

Os bancos vão percebendo que poderão realizar mais valor se venderem algumas das suas carteiras de NPLs numa fase mais inicial do incumprimento onde o potencial de recuperação é maior, em vez de carteiras com maior antiguidade e cujo potencial é logicamente diminuto e consequentemente o valor e pricing numa eventual transação sensivelmente menores, deixando a recuperação de créditos em incumprimento para as empresas especializadas neste negócio, que são especialmente eficientes na recuperação de crédito, atingindo elevadas taxas de recuperação. As entidades financeiras especializadas em crédito ao consumo também já perceberam isto, sendo regulares participantes nas vendas destes portfolios, e o mesmo acredito que acontecerá aos outros players, mas de maneira mais progressiva.

Embora o mercado de venda de NPLs continue em atividade com algumas transações já concluídas no presente ano, acreditamos que o volume seja crescente no curto e médio prazo, ganhando atratividade para alguns dos maiores fundos de investimento de NPLs do mundo que esperam por uma janela de oportunidade para entrar no mercado português.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
14/06/2013
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