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NOTÍCIAS Atratividade de Investimento Estrangeiro em Portugal
Tive recentemente acesso a um estudo da E&Y - Portuguese Attractiveness Survey 2013, que tem como objetivo a análise do investimento em Portugal, segundo duas perspetivas. A primeira regista todos os projetos de investimento realizados recentemente na Europa e a segunda inclui os resultados de auscultação de 200 empresas (aos seus líderes empresariais) relativamente à sua perceção de Portugal enquanto destino para a realização de investimento. Segundo este estudo, o investimento estrangeiro em Portugal duplicou de 2011 para 2012, tendo sido registados 46 projetos novos. Este crescimento contrasta com uma redução de 3% no número total de novos projetos na Europa.

Segundo os inquiridos, 58% consideram que a atratividade do país irá aumentar nos próximos anos. Os 95% que já estão presentes em Portugal confirmaram a sua intenção de permanecer no país nos próximos 10 anos (superior à média Europeia – 84%). 43% dos inquiridos pensam que a língua e a proximidade cultural  com o Brasil, Angola e Moçambique é o fator chave de atratividade do nosso país. A qualidade da mão-de-obra e as atividades de R&D que tem vindo a ser desenvolvidas pertencem ao top 3 dos fatores de atratividade. Cerca de 60% dos líderes empresariais consideram que as reformas (especialmente a reforma da lei do trabalho) levadas a cabo por este governo têm um impacto positivo na decisão de investimento estrangeiro em Portugal. Uma redução da carga fiscal também é vista pelos inquiridos como um dos fatores mais condicionantes na hora de investir no nosso país.

Este estudo é particularmente interessante na medida em que nos traz uma perceção dos investidores estrangeiros sobre o nosso país que muitas vezes contrasta com o nosso sentimento de frustração e impaciência cimentados nesta crise económica tão profunda e que irá alterar os nossos padrões de comportamento permanentemente (pelo menos assim o espero!). 

Somos um pequeno país na cauda ocidental da Europa e com falhas graves em alguns setores. A nível das infraestruturas de transporte, por exemplo, a maioria dos nossos portos marítimos não consegue pôr fim ao poder dos sindicatos dos estivadores, que querem a todo custo manter as suas regalias, direitos esses que retiram competitividade aos portos e que são completamente dissonantes com a realidade do país e de muitas outras forças de trabalho. Outra agravante são os caminhos-de-ferro em bitola europeia, muito aquém das necessidades, o que também retira competitividade aos nossos portos. Urge a necessidade de uma linha férrea que ligue Sines, Setúbal e Barreiro ao Caia e outra que ligue Aveiro a Vilar Formoso, por forma a dinamizar este setor de atividade.

A nossa complexa burocracia e carga fiscal elevada são também entraves que necessitam de melhoria contínua, apesar dos visíveis progressos que já foram feitos. 

Por outro lado somos um país com um relacionamento preferencial com dois dos países que atualmente apresentam maior potencial de crescimento económico do mundo: Angola e Brasil. Embora tenhamos começado tarde, já muitas empresas portuguesas começaram a expandir-se para estes mercados e a beneficiar do aumento da procura interna desses países e de uma crescente melhoria da imagem de Portugal no mundo. A nossa imagem de marca enquanto país também foi descurada por muitos anos, mas finalmente tem-se vindo a prestar cada vez maior atenção a este fator, e cada vez mais o mundo se vai apercebendo da nossa existência.

Além de tudo o que foi dito como foco de atratividade, outros fatores são também relevantes no processo de decisão aquando da alocação de investimento estrangeiro em Portugal como o nosso bom clima, a nossa gastronomia, a nossa hospitalidade, os baixos índices de criminalidade, os bons níveis dos serviços de saúde, entre outros.      

Em tom de resumo, são boas notícias, pois o país está desesperadamente a necessitar de investimento, mas ainda temos um longo caminho pela frente na valorização das nossas capacidades e competências enquanto país e por forma a podermos competir de igual para igual com os melhores.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
21/02/2014
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