PRIVATE AREA | REGISTER EN PT ES
Login
NEWS Eficiência e produtividade no aparelho do Estado
A administração Estatal Portuguesa é conhecida pela sua falta de eficiência e pelo excesso de burocracia.

O nosso quotidiano é feito de passagens pelos organismos públicos, por isso é fácil de formar uma opinião sobre a qualidade desses serviços. Na minha opinião, esta falta de eficiência é causada pela arquitetura ineficaz de todo o sistema, pelo crescimento desmesurado do aparelho estatal e pela falta de vontade política em estudar e atacar o problema, porque estou convencido de que assim como no sector privado, existem muitos funcionários competentes que acrescentam qualidade ao serviço prestado. O que carece é uma estrutura que apoie esses funcionários e privilegie a eficiência.

Neste prisma, acredito que um grande entrave à eficiente gestão de recursos humanos do Estado é a falta de incentivos à boa performance. Assim como no sector privado, a generalidade das pessoas precisa de ser incentivada de forma contínua e inseridas num programa de avaliação para que se consiga uma evolução e melhoria do desempenho.

Se por um lado o perfil dos trabalhadores do Estado difere dos do sector privado, geralmente por serem pessoas mais avessas ao risco, que privilegiam a segurança no posto de trabalho e um maior equilíbrio entre a vida profissional e privada (além disso, nalguns casos a vocação para o serviço público será o fator preponderante na escolha da carreira profissional), por outro lado acredito que esta maneira de ser do funcionalismo público é um paradigma que está enraizado na nossa cultura, mas que pode ser mudado se se tiver vontade política. Mesmo os trabalhadores com um perfil aparentemente mais conservador serão mais eficientes se houver um sistema de recompensa justo e baseado no desempenho. A motivação é a chave da produtividade e mesmo o aparelho do Estado poderá ser mais orientado para a obtenção de resultados.

Mas para o sistema funcionar, é preciso escolher e responsabilizar as pessoas encarregadas de chefiar este projeto e posteriormente criar-se os objetivos e métricas pelos quais se vai basear a avaliação. É igualmente necessário criar-se uma ferramenta de gestão que possa recolher toda a informação e torna-la acessível a todos os intervenientes de uma maneira organizada. Por último é preciso que o sistema seja justo, equitativo entre os vários organismos e que privilegie os melhores dentro dos padrões mais claros e facilmente mensuráveis.     

A burocracia, outro dos grandes entraves à produtividade, está instalada no modus operandis do Estado há décadas, e por isso enraizada na maneira de pensar e de gerir dos funcionalismos públicos e seus funcionários. Para se tentar melhorar este paradigma, teria de ser feito um levantamento exaustivo nos principais aparelhos de Estado relativamente aos processos mais frequentes e tentar verificar a sobreposição dos circuitos processuais entre diferentes autoridades. Também seria interessante identificar mais concretamente quais os processos que representam mais reclamações assim como uma análise simples de custo benefício a fim de se estabelecer prioridades. Só depois de se conhecer bem o problema e de se perceber o que é mais urgente, se consegue ir a fundo na resolução dos mesmos.

Está ao nosso alcance uma melhoria gradual do aparelho público e com isso uma melhoria da qualidade de vida e uma maior atração do investimento estrangeiro que tanto precisamos. Só falta mesmo é a vontade política.     

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
07/03/2014
LATEST NEWS