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NEWS Ferramentas de Gestão
A grande maioria do tecido empresarial Português como já é amplamente conhecido é composta por PM´s e micro empresas. Estas pequenas empresas de limitados recursos encontram-se mais focadas em “sobreviver” do que em colmatar as suas lacunas de gestão. É uma das consequências da crise que assola a nossa economia, as empresas estão mais preocupadas em cortar custos do que em pensar em novos caminhos e estratégias de estímulo à receita. Paradoxalmente tem-se o Estado focado demasiado no lado da receita fiscal em detrimento da despesa e o setor privado exatamente o oposto. Ou seja, ambos trilham o caminho que está mais próximo e onde os resultados são mais visíveis a curto prazo evitando a reforma estrutural, ou seja, o trabalho mais complexo e difícil de delinear mas que certamente será a única receita para o sucesso. 

Acredito que existem grandes carências de gestão em muitas das pequenas e médias empresas e que a solução passaria por quebrar por completo o racional atual na forma de se pensar o negócio. No entanto existem algumas medidas que poderão ser implementadas no curto prazo de modo a preparar a empresa para se adaptar à mudança de uma maneira mais gradual:

1) Contabilidade de Custos Organizada – um leque enorme de empresas não possui uma contabilidade de custos organizada, impossibilitando o cálculo da margem bruta de cada produto ou serviço, da rentabilidade dos vários pontos de venda, da análise da produtividade dos vários recursos da empresa, do cálculo do custo médio de financiamento dos projetos e da empresa como um todo; entre outras métricas de performance de gestão que permitem uma análise rigorosa da atividade da empresa e a tomada de decisões ponderadas;

2) Planeamento da Atividade - qualquer empresa deveria ter um plano onde se perspetive a atividade da empresa, se defina e quantifique os objetivos e metas a atingir, se definam os meios e recursos a utilizar. O horizonte temporal dependerá do contexto económico em que essa indústria se insira, tendo sempre em atenção os ciclos de mudança habituais de cada ambiente competitivo. O plano será sempre um benchmark de referência que ajudará a avaliar a performance da gestão e dos seus recursos ao mesmo tempo que dará uma orientação para o caminho a seguir, permitindo a reflexão sobre a melhor estratégia e a adoção de medidas corretivas ao longo desse caminho.

3) Gestão Eficiente de Tesouraria – o financiamento das necessidades de fundo de maneio tem de ser corretamente estimado sob pena da empresa não conseguir cumprir as suas obrigações para com os seus credores. Muitas empresas são vítimas da cultura de atraso nos pagamentos a fornecedores e não se organizam para gerir eficientemente este departamento com um peso cada vez mais preponderante nas empresas.

Relativamente aos pontos 1 e 2, é necessário que se contratem recursos humanos e informáticos com competências para desempenhar estas funções, ou em alternativa e com o intuito de se baixar os riscos financeiros, recorrer a serviços de outsourcing de uma empresa que preste esses serviços. 

O ponto 3 poderá ser desenvolvido quase sem custos para a empresa. Existem empresas especializadas em serviços de gestão de tesouraria e cobrança e recuperação de crédito, operando em regime de success fee, ou seja, com o sistema de pagamento baseado na performance, pagando-se apenas um fee sobre o valor recuperado. Assim a recuperação dos créditos a ser contratado por este tipo de empresas, passará a funcionar como uma pool de proveitos e não um centro de custos. Nos tempos que correm qualquer entrada adicional de receita é muito bem-vinda e poderá ser determinante no cumprimento das obrigações da empresa, principalmente quando advém de sistemas que não acarretam um incremento dos custos fixos da mesma. Outra vantagem será permitir à empresa focar-se na sua área de negócio, e na manutenção de um bom relacionamento comercial com o cliente, evitando qualquer desgaste no relacionamento com clientes devedores.  

O mundo está cada vez mais competitivo e a modernização e profissionalização dos vários departamentos de uma empresa, não somente o seu core-business, serão vantagens competitivas e fatores de diferenciação face à concorrência.  

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
04/04/2014
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