PRIVATE AREA | REGISTER EN PT ES
Login
NOTÍCIAS E Agora?
Nos últimos 3 anos o país tem sido confrontado com as duras medidas de austeridade impostas pela Troika (trio de credores composto pelo FMI - Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e BCE – Banco Central Europeu) e com as restrições da banca à concessão de crédito a empresas e particulares, derivadas da crise financeira de 2008, o que impactou negativamente o rendimento disponível das famílias e consequentemente o consumo interno, provocou uma diminuição acentuada do investimento, o aumento substancial do desemprego, a queda acentuada do preço dos ativos e por conseguinte verificou-se o encolher do nosso produto interno bruto.

O tão anunciado fim do programa da Troika não parece vir aliviar a curto/médio prazo os maiores entraves ao desenvolvimento e à competitividade das empresas portuguesas - a burocracia, a elevada carga fiscal, o não crescimento do mercado interno e a falta de investimento. Vamos ter que continuar a seguir uma rígida disciplina orçamental nos próximos anos, com as mesmas imposições dos últimos 3 anos: diminuição da dívida pública e despesas do Estado, restruturação da Segurança Social, e provável aumento da receita fiscal. Os credores e investidores dão especial atenção à métrica que melhor espelha o grau de alavancagem dum Estado – Dívida / PIB. A divida pública cresce todos os anos ao ritmo do nosso défice que precisa de esforços adicionais para se começar a aproximar de zero (ainda estamos muito longe) e assim estancar o seu crescimento. Como a dívida só pode aumentar, na melhor das hipóteses pelo menos nos próximos 3/ 4 anos, então teremos de nos focar (por certo nunca nos deveríamos ter desfocado) também no crescimento do denominador desta equação – o PIB. Aliás, os dois estão fortemente correlacionados (negativamente correlacionados aliás) e por isso é que a receita da Troika por ter sido demasiadamente agressiva, impactou negativamente o PIB de maneira mais forte do que se pensava. 

Agora, parece que finalmente voltaremos ao crescimento, mas para que este seja sustentado é necessário corrigir muitos dos erros do passado. São necessárias reformas no aparelho burocrático do Estado, estabilidade e progressiva diminuição da carga fiscal para as Empresas, continuadas reformas na Justiça e erradicação por completo dos grupos de interesse que vivem dos apoios e proteção do Estado. Será necessário menos mas melhor Estado, pois entendo que o Estado deve ser um regulador atento e promotor de concorrência e competição saudável de mercado mas não um gestor, isso é o papel dos agentes privados. O Estado deve criar as condições para que a economia funcione em condições, deve atuar juntos dos sectores que não conseguem por si só gerar economia de mercado, deve apoiar o investimento e valorizar a marca Portugal. Para atingirmos um ritmo de crescimento mais acelerado também é necessário mais apoio financeiro aos bons projetos e boas empresas Portuguesas. É necessário aumentar o acesso ao crédito para se baixar o custo do crédito para valores competitivos ao nível dos nossos parceiros Europeus. Alguns bancos já apresentam alguns sinais de melhoria na concessão de crédito, como por exemplo a disponibilização de novos produtos e condições nos créditos, com os spreads a baixarem consideravelmente, embora de forma gradual e mais criteriosa que no passado.

O ajustamento, embora com enormes sacrifícios dos Portugueses, fez-nos acordar para a enorme mudança que tinha e tem de continuar a ser feita. Agora, o Aparelho do Estado necessita de emagrecer, mas agora com mais liberdade de ação deveria se estudar melhor os cortes, sector a sector, organismo a organismo, cortando o que menos falta faz para que possamos sonhar em ser mais competitivos. 

Nesta nova fase pós-troika que se inicia enfrentaremos os mesmos desafios, novas oportunidades e grandes expetativas, com Portugal no centro das atenções de investidores internacionais, acompanhando todos os nossos passos… cabe-nos a todos nós demonstrar mais uma vez do que somos capazes.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
16/05/2014
ÚLTIMAS NOTÍCIAS