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NOTÍCIAS Determinação!
Rafael Nadal acaba de conquistar a sua nona coroação em Roland Garros, e com isso eleva para 14 o número de Grand Slams conquistados e outros quantos records quebrados. O que mais me espanta é a determinação, a motivação do querer sempre mais apesar de tudo o que já conquistou. Este espírito de sacrifício é o que o distingue de todos os outros desportistas com quem rivaliza no topo da modalidade do ténis.

Segundo os especialistas assistimos à era mais competitiva de sempre do Ténis Profissional, onde o jogador médio joga a um nível acima do testemunhado em qualquer outra década. E mesmo assim este jogador não para de bater records e de caminhar a passos largos para ser considerado, pelo menos por alguns, o melhor de sempre.

Por alusão ao futebol que é o desporto mais popular, O Rafael Nadal é no ténis o mais parecido ao nosso Cristiano Ronaldo no futebol, tem um jogo muito físico, com muita entrega e muita intensidade. O Roger Federer, o seu grande rival a par de Novak Djokovic, é um jogador mais comparável ao Leonel Messi, mais virtuoso tecnicamente, mas fisicamente menos robusto. Assim como Cristiano Ronaldo, Rafael Nadal é um verdadeiro atleta, e poderia vingar em inúmeros desportos com toda a certeza.

Rafael Nadal chega a este Grand Slam, que é jogado na terra batida, com um panorama e favoritismo dos mais incertos dos últimos anos. Sofreu uma lesão nas costas no final de Janeiro no jogo da final do Australian Open que o impediu de vencer e teve uma das épocas de terra batida mais fracas desde que se estreou no circuito ATP. Além disso, jogou a final contra Novak Djokovic, um jogador tenaz com quem tinha perdido nos últimos 4 encontros. Aliás, esta já é a maior rivalidade de sempre no ténis contemporâneo (maior número de jogos entre dois jogadores), e há poucos anos o Rafael Nadal tinha claro ascendente no head to head entre ambos. Mas a partir de 2011 que se revelou um ano magistral para o Sérvio, tendo ganho 3 Grand Slams nesse ano (dois deles jogou contra Nadal na final), a situação altera-se e Novak começa a impor-se a Nadal com muita frequência, chegando mesmo a ganhar-lhe em três finais consecutivas de Grand Slams. Depois de ser batido em tantos encontros seguidos pelo mesmo rival, Nadal disse que encontraria uma solução para inverter esta tendência. E assim foi, Nadal conseguiu bate-lo em duas finais de majors entre 2012 e 2013 e assim manter o head to head ainda positivo. Este panorama levou muitos especialistas a considerar o Djokovic como favorito.

Nesta final jogava-se mais do que o troféu de um major. Jogava-se o primeiro lugar do ranking ATP, jogavam-se records por parte de Nadal e a tentativa de alcançar um career grand slam por parte de Novak Djocovic que já desde 2011 persegue o sonho de entrar neste grupo de elite (somente 7 jogadores na história do ténis lograram este feito).

A final jogou-se num dia muito quente e húmido, e os jogadores entraram nervosos e a encaixar lentamente no jogo um do outro. Nadal percebe que para inverter a tendência dos últimos confrontos, tem de jogar de maneira diferente, mais agressivo e surpreendendo o seu adversário. E é isso que faz, mas jogando assim toma riscos, vai errar mais. O segredo é arriscar nos momentos chave. E foi exatamente isso que se passou e que podemos usar de inspiração para o mundo empresarial, para o nosso dia-a-dia. Nadal preparou-se muito para o jogo, delineou uma estratégia e não mudou de rumo só porque não começou desde logo a dar frutos pois até chegou a perder o primeiro set. Nadal soube ser paciente.

As metas alcançam-se quando se trabalha muito, e os limites são a nossa imaginação. A estratégia tem de ser muito bem pensada e delineada ao pormenor. Mas ainda mais importante é a sua execução, e para isso temos de que estar preparados, munidos das armas necessárias e de experiência e treino que nos permitam ter confiança no sucesso da sua aplicação. Nadal foi preparando ao longo do torneio aquilo que seria a sua principal arma frente a Djokovic, antecipando o que seria o par mais provável de jogar a final. Foi testando contra adversários mais fracos e afinando a direita de esquerdino paralela, foi essa a pancada decisiva que ditou o vencedor. Normalmente num esquerdino, como o é Nadal, a direita cruzada encontra a esquerda de um destro, e esse será na maioria dos casos o golpe mais eficaz. Mas Djokovic é um adversário diferente e por isso Nadal teve de encontrar ao longo destes meses uma arma que o fizesse mudar o rumo dos acontecimentos e lhe voltasse a dar a hegemonia do ténis Mundial. O jogo de Domingo fez-me acreditar que quando se trabalha muito, que quando se tem muita ambição, muita determinação as coisas acontecem, pode demorar, podemos cair muitas vezes no caminho, mas chegamos lá!  

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
13/06/2014
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