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NEWS O Petróleo e a Globalização
O mundo está em constante mudança e a ritmos cada vez mais elevados. O que antes era um dogma hoje é no mínimo altamente questionável. E a prova disso mesmo são os efeitos que a descida do preço do petróleo tem provocado nas bolsas mundiais, sobretudo nas cotações das multinacionais com projetos significativos nos países produtores do chamado ouro negro. É certo que a crise na Grécia também tem provocado um efeito nefasto na queda das bolsas, e por isso este efeito combinado tem provocado uma reação tão violenta.

Portugal foi sempre um importador líquido de petróleo e esta mercadoria há muito que provoca um desequilíbrio acentuado na nossa Balança Comercial. Tanto mais que o país sofreu sempre muito no passado com os vários choques petrolíferos. Mas neste momento o movimento é o inverso, e em vez de se seguir a lógica do passado, provoca movimentos contrários. Apesar do benefício que este efeito trará nas nossas contas públicas, no rendimento disponível dos portugueses e consequente efeito positivo no consumo privado, o mercado está mais preocupado com as nossas empresas exportadoras e no efeito negativo sobre o investimento estrangeiro em Portugal. As cotações que mais caem são de empresas com projetos de investimento avultados em países africanos, sobretudo em Angola como é o caso da Mota-Engil, e onde alavanca grande parte das suas receitas globais. De facto a economia Angolana está muito dependente do petróleo, com a agravante de que a sua extração é por via de torres off-shore e que as suas reservas em deep off-shore representam custos de extração muito altos e só compensados com um preço de petróleo elevado. 

Muitos dos países exportadores de petróleo ainda não conseguiram usar convenientemente o dinheiro destas exportações para modernizar o país e atrair outras indústrias para que pouco a pouco se reduza a dependência desta matéria-prima na economia nacional. Mas com a expectativa de que isso aconteça a médio prazo, muitas foram as empresas que começaram a investir nestes países, aproveitando a crise instalada no Ocidente como incentivo para uma maior diversificação das suas fontes de rendimento. Países estes que viram as suas receitas aumentar significativamente com as subidas constantes dos preços do petróleo nos últimos anos. 

O mundo está de facto tão globalizado que os efeitos benéficos numa empresa de uma diversificação das suas receitas em diferentes geografias dilui-se em alguma extensão nos tempos que correm. As empresas que foram mais ousadas e que procuraram mercados pouco afetados pela crise, caem agora numa armadilha de difícil resolução. Estou no entanto convencido que os mercados tem andado muito nervosos desde a falência da Lehman Brothers, e que num primeiro impacto tende-se a verificar uma reação excessiva seguida de correções aquando duma maior perspetiva dos seus efeitos. 

O trabalho dum gestor está mais complexo que nunca pois as variáveis da equação são cada vez em maior número, muitas das quais muito difíceis de prever e ainda mais de se conseguir algum tipo de proteção sobre os seus efeitos. 

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
09/01/2015
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