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NEWS Conselhos de Administração para que te quero
Acabo de ler um breve artigo de Alexandre Real num jornal económico com o qual não poderia estar mais de acordo. Aí é dito: “está provado que quando os membros dos conselhos de administração decidem numa lógica de curto prazo, a percentagem de más decisões é muito superior”. Eu acrescentaria que a existência de conflitos de interesse, falta de preparação técnica e falta de dedicação dos seus membros ditam as restantes grandes causas de decisões erradas.

Nalguns casos bem mediáticos em Portugal como nas empresas BCP, GES/BES, PT, entre outras, está bem claro que os Conselhos de Administração falharam no seu essencial e não protegeram os interesses dos seus acionistas. Foi permitido durante muito tempo que se confundisse responsabilidades de gestão com poder acionista, que se defendesse os interesses de alguns grupos acionistas e que nunca se percebesse ao certo qual a realidade de facto dessas empresas e se ocultassem elementos relevantes.  

O colapso da banca dos dias de hoje um pouco pelo mundo fora é bem evidente disso mesmo. Este foi muito ditado pela aplicação de objetivos de curto prazo em detrimento duma estratégia duradoura de longo prazo. A própria política de bónus foi desenhada para premiar a entrada de dinheiro rápido na instituição independentemente do risco envolvido e que acompanharia os seus balanços durante muito tempo. A pressão pelos resultados é transversal a todas as indústrias e muitas vezes o gestor sucumbe à tentação de mostrar melhorias trimestre após trimestre, semestre após semestre. Os incentivos de quem gere não estão muitas vezes alinhados com os interesses acionistas.

Os conselhos de administração em Portugal de uma maneira geral não se tem munido de membros fortes, conhecedores do negócio das suas empresas de maneira a desafiar e a avaliar corretamente o desempenho dos seus membros executivos. Mesmo institucionalmente, os gestores executivos são normalmente a figura central e nota-se enfraquecida a figura dos membros do conselho de administração que são meros validadores das decisões dos primeiros. 

Hoje mais que nunca importa dotar as instituições de conselhos de administração com membros experientes, independentes e remunerados para supervisionar o desempenho dos seus gestores e ao mesmo tempo prestarem contas com os acionistas. Um sintoma de que isto ainda não acontece é a liquidez exagerada existente atualmente nos balanços de muitas das maiores empresas mundiais e que contrasta com os níveis baixíssimos de investimento. Isto só realça a miopia da visão de curto prazo em detrimento de se pensar numa estratégia e se preparar as empresas para um combate permanente e duradouro. 

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
23/01/2015
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