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NEWS TAP que Futuro
Sou da opinião de que existem sectores onde o interesse público deverá prevalecer acima de tudo e seguindo esse princípio, determinadas empresas deverão permanecer na esfera pública. Uma transportadora aérea poderia muito bem encaixar dentro desse espirito pois é o primeiro contacto, a primeira imagem que muitos estrangeiros têm de um determinado país e no caso da nossa TAP acresce as ligações com os vários países da diáspora portuguesa e a importância que essas rotas representam para todos nós muito para além dos fins de natureza puramente económica. 

A privatização da TAP é por isso mesmo um tema muito polémico, muito sensível e terá de ser tratado com enorme rigor.

A TAP encontra-se fortemente descapitalizada muito por força dum investimento desastroso numa empresa de manutenção no Brasil e que gera prejuízos avultados ano após ano. Além disso a sua massa trabalhadora é altamente sindicalizada e os seus direitos protegidos na legislação portuguesa, o que confere muito pouco agilidade a uma empresa que atua num sector altamente concorrencial e com a ameaça cada vez maior das chamadas companhias low cost. Estas companhias souberam aproveitar-se disto mesmo, operando num sector dominado por companhias estatais pouco ágeis a todos os níveis e com estruturas de custos incomportáveis.

A TAP tem vindo ao longo destes anos a trilhar o seu caminho, a renovar a sua imagem e também alguns dos seus procedimentos e organização interna. Tem vindo a ganhar novas rotas e muitos passageiros novos mas neste momento pouco mais pode fazer dentro do enquadramento atual. A empresa está descapitalizada e o Estado está falido e tem igualmente de jogar com muitas limitações a nível das regras comunitárias que regulam a relação do Estado com as suas empresas.
 
Se a TAP quiser dar o próximo passo e crescer enquanto companhia, terá forçosamente de encontrar um novo parceiro/acionista estratégico e com capital disponível. Sou da opinião que este modelo de gestão está esgotado mas também de que a mudança não poderá ser feita a todo o custo nem à pressa. A TAP é uma empresa muito importante para os interesses Nacionais e que num contexto desejável de estabilidade económica seria desejável a sua manutenção na esfera pública. Mas a realidade é outra, terá de se olhar para a frente mas nunca descorando aquilo que terá de ser preservado e que poderá ser exigível a qualquer um que se apresente no caderno de encargos. As exigências terão de ser muitas e a escolha do novo parceiro terá de ser olhado em vários prismas e nunca somente o económico como se fez noutras privatizações passadas.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONOMICA
13/03/2015
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