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NOTÍCIAS O Paradigma da Banca dos Dias de Hoje
Já uma vez aqui escrevi que a banca portuguesa teria de se adaptar às novas tendências do mercado português e também do mundo de hoje: 
1) o sector imobiliário e da construção civil, onde a banca alavancou grande parte do seu crescimento, sofreram um decréscimo muito acentuado na dimensão do seu mercado e tem hoje perspetivas de evolução completamente diferentes dos anos anteriores a 2011; 
2) são requeridos atualmente aos bancos níveis de capital muito mais alto por um lado, e por outro estes últimos têm hoje de aplicar critérios mais homogéneos e exigentes ao nível da contabilização dos seus ativos; 
3) o tecido empresarial português está a mudar, algumas das grandes empresas portuguesas tiveram de redimensionar as suas estruturas por via da diminuição do consumo interno, outras fortemente dependentes do Estado deixaram de ter muitos dos apoios que tinham e também sofreram restruturações. Alguma força de trabalho que passou a estar excedentária nas grandes organizações criou agora as suas empresas por força do custo de oportunidade que nunca esteve tão baixo.

Os bancos cuja razão primordial da sua existência é a intermediação financeira, terão de repensar a sua alocação de recursos. Se por um lado a grave crise financeira provocou uma política muito mais conservadora na concessão de crédito, a verdade é que os agora mais necessitados de crédito são as microempresas, pequenas e médias empresas e também as start-ups. E os grandes entraves começam quando são exigidas garantias por parte dos financiadores, pois essas empresas não possuem ativos de valor que sirvam de conforto e onde a solução em muitos casos recai sobre os avais pessoais.

Os bancos deveriam começar a adquirir conhecimento sobre avaliação de risco destes pequenos negócios e começar a apoiar os jovens empresários. Sei que é um grande desafio o repensar do negócio bancário e o lançamento de infraestruturas que o possibilitem, mas uma possível alternativa seria a criação de parcerias com parceiros que tenham muito conhecimento neste campo, como por exemplo os fundos de capital de risco (estes fundos também se encontram a repensar os seus modos de funcionamento pois sofreram muito com a maneira agressiva como adquiriam negócios). Será um movimento que terá de ser gradual até porque os bancos centrais estão cada vez mais exigentes e observantes.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
21/08/2015
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