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NOTÍCIAS Caos Político
O nosso país não merecia mais um problema, mais um contratempo que pode afetar de sobre maneira a ténue recuperação da nossa economia.  Enormes sacrifícios foram exigidos aos Portugueses para que Portugal possa cumprir com o Tratado de Estabilidade: continuar com a redução do défice público até menos de 3% do PIB, e a progressiva redução da dívida pública que deveria no longo prazo não ser superior a 60% do PIB. Portugal tem trilhado o seu caminho mas alguns fatores externos, principalmente a debilidade de algumas economias muito importantes para as nossas exportações (alguns parceiros Europeus, Angola e Brasil), tornarão o nosso percurso ainda mais desafiante, para não falar do ainda frágil sector financeiro.

A meu ver o resultado das eleições foi muito claro: a coligação Portugal à Frente deverá formar governo mas deverá ao mesmo tempo gerar acordos com a oposição que lhes permita passar o orçamento de Estado e a aprovação de medidas que permitam a sua execução. Tornou-se também claro que os Portugueses são pro Europa, querem continuar no Euro, mas também querem que haja consensos, com aprovação de políticas negociadas entre as maiores franjas do Poder. 

Não me vou alongar sobre este tema, apenas frisar que o que está a acontecer é o contrário do que precisamos. De repente, os partidos de esquerda ávidos de poder, já renegam para segundo plano os seus ideais em prol dum lugar na governação. Para variar não são os nossos interesses que estão a ser defendidos mas sim os interesses de quem quer governar a qualquer custo. E o que se está a passar é mau para Portugal pois vai nos custar tempo e dinheiro, mas também será um tiro no pé de quem está a jogar no limite, pois estará certamente a levar a uma deterioração da imagem destes partidos.
 
No limite estou inteiramente convencido que o trajeto da nossa caminhada será nas grandes linhas o mesmo, independentemente de quem esteja à frente na governação (veja-se o que aconteceu à Grécia), o risco será o atraso na recuperação e algumas tempestades adicionais que aparecerão no imediato. Ainda não perdi a esperança de que haja lucidez, pelo menos dentro dos partidos para que se afaste quem está a bloquear o consenso. 

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
23/10/2015
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