PRIVATE AREA | REGISTER EN PT ES
Login
NOTÍCIAS Crescimento não sustentado
O novo governo socialista já confirmou que quer manter as metas de deficit previstas no Tratado Orçamental, ao mesmo tempo que aplica medidas despesistas como o aumento do salário mínimo e diminuição de alguns impostos e taxas. Mas como se sustenta este argumento? A reposta está em que a menor carga fiscal, irá libertar recursos económicos no seio das famílias portuguesas e que os irão posteriormente usar para aumentar o seu consumo, provocando assim um aumento da receita fiscal sobre o IVA. Assim sendo este governo recentemente indicado pelo Presidente da Republica, promete atingir um deficit na ordem dos 2,8% para o próximo ano e abaixo da meta de 3%. Ou seja, mesmo que a receita total fiscal não aumente face aos números do antigo governo, o maior aumento comparativo do Produto Interno Bruto Português implicará uma diminuição do rácio Deficit sobre o PIB.

Custa-me a crer que estejamos sucessivamente a cometer os mesmos erros e a definir estratégias de atuação do Governo com base em metas de curto prazo. Apesar do enorme risco desta estratégia, mesmo a muito curto prazo, pois o aumento do consumo estimado é no mínimo otimista, revela uma miopia grotesca. E esta tem sido a bandeira de muitos governos socialistas da nossa história, fomentar o consumo e despesa pública para se gerar crescimento.

Nenhuma economia que se encontra a anos-luz do seu potencial, cujo rendimento per capita é dos mais baixos no seio dos países mais desenvolvidos, se pode dar ao luxo de projetar o seu crescimento económico muito assentada no consumo interno. O país precisa de se modernizar, de ser mais competitivo, de exportar e angariar investimento externo para aumentar os seus níveis de capital fixo e de inovação. O nosso barómetro a médio prazo deveria ser a balança comercial, pois esta estará sempre muito correlacionada com o grau de competitividade da nossa economia.

Economias sólidas e altamente competitivas de países de grande dimensão terão sempre uma carga forte do consumo privado. Nós pelo contrário vivemos num pais pequeno, pouco industrializado e que nunca conseguirá produzir tudo aquilo que consumimos, de maneira que estímulos ao consumo farão sempre aumentar de sobremaneira as nossas importações. Nós precisamos de exportar mais e melhor, e isso não se cria do dia para a noite. Temos de criar condições para sermos mais competitivos, mas este percurso é duro e longo e não gera contentamento social no momento imediato e por isso será sempre um percurso impopular. Precisamos de políticos impopulares que não digam o que se quer ouvir mas que percorram o caminho certo, não o mais fácil!

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
04/12/2015
ÚLTIMAS NOTÍCIAS