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NOTÍCIAS Os Verdadeiros Culpados
Desde que a Troika prestou-nos assistência financeira que o tema da saúde do sistema financeiro português tem tido mais atenção e debate público. Apesar de algum alarido e de algumas opiniões de peso contrárias, ficou na altura decidido não se utilizar o montante total da linha de crédito destinado à banca pois o nosso sector financeiro não apresentava demasiadas preocupações e até se comparava muito bem com outros países do Sul como por exemplo a Espanha, Irlanda ou Grécia.

Passaram-se 4 anos e desde então começou-se a constatar que a realidade não era tal e qual se tinha apresentado e o problema bem maior do que se imaginava. A crise económica de 2008 afetou a economia do pais e pois claro também beliscou de sobremaneira um sector altamente cíclico como é obviamente o financeiro. Não nos podemos é esconder na capa da conjetura e externalidade desfavorável para explicar-se tudo o que se passou, pois há quem apregoe a inevitabilidade do destino. A conjetura explica muita coisa mas não explica tudo. Constata-se agora facilmente que o Governo anterior e o Banco de Portugal não atuaram atempadamente, como fizeram a Irlanda e a Espanha com a criação de bancos maus, apesar de perceber-se alguma resistência pois a desconfiança externa sobre a nossa credibilidade estava no mínimo comprometida. Típico português não fazer nada e esperar-se que o tempo ajude! Os problemas atacam-se de frente, e quanto mais se engonha pior vai ficar, é assim com tudo e desde sempre, este caso não seria diferente e só poderia acabar mal.

Nos casos dos bancos intervencionados culpa-se muito os governos e os supervisores, mas vejo pouca discussão em torno dos verdadeiros culpados: as equipes de gestão. Concordo que houve falta de decisões e algumas tardias por parte do governo mas também sou da opinião que os verdadeiros culpados são as equipes de gestão. Como disse a conjetura explica alguma coisa, o maior rigor do BCE e das novas regras da União Europeia relativamente às ajudas públicas explicam outra parte, mas está-se longe de se perceber tudo o que aconteceu. Como podem os buracos nas contas do BES e do Banif serem tão grandes? Houve no mínimo atos de gestão negligente, mas o mais provável é ter havido gestão danosa. Auditorias forenses e rigorosas deveriam ajudar-nos a explicar o que passou e se a convivência entre poderes políticos e privados tenha algum peso nesta história. E se assim for voltamos à mesma estória da promiscuidade e de favorecimentos ilícitos que muitos escândalos tem levantado mas com poucos efetivamente condenados.

É uma vergonha todos estes escândalos que mancham e descredibilizam a imagem do nosso país. Mais do que nunca é urgente que se apurem as responsabilidades e que a justiça funcione de maneira célere e exemplar.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
31/12/2015
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