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NOTÍCIAS Paralelismo entre o ténis e a vida empresarial
Uma semana depois do Portugal Open, aproveito para escrever umas linhas sobre o paralelismo entre este desporto que adoro e a vida empresarial. O ténis como qualquer desporto individual, tem uma forte componente emocional e psicológica, pois o esforço de cada praticante oferece uma recompensa muito mais direta sobre os resultados do próprio jogo.

O ténis é um percurso longo que envolve três grandes etapas para se chegar ao objetivo último de se ganhar o encontro: a conquista de games, para depois se conquistar sets e logo ganhar-se o encontro ou match. Tem que se ter paciência e ir se construindo o resultado pois não há limite de tempo, e só se ganha um encontro depois de se conseguir ganhar o número de sets estabelecido por cada torneio.

O ténis é uma batalha a todos os níveis, lutamos contra nós próprios mas também contra o adversário. Temos de encontrar o nosso próprio ritmo e ajustarmo-nos ao ritmo do nosso oponente. A existência de uma estratégia de jogo bem delineada tendo por base uma análise do outro jogador é muito importante, pois o foco único e exclusivo no nosso próprio jogo é um erro crasso. É um desporto muito solitário, onde nem o coaching é permitido durante a partida. Temos de ser autosuficientes e assim aprendemos a conhecermo-nos melhor, a saber controlar as emoções e a executar um plano de ação, a seguir a estratégia delineada, mesmo sob forte pressão, como é o caso em ambientes de competição.

No outro dia estava a jogar num torneio amador, em formato torneio escada e onde vamos desafiando os jogadores que estão mais acima no ranking para “roubar-lhes” a posição que ocupam. Estava em disputa o segundo lugar, e o encontro realizou-se num sábado de manhã, com algum público a observar o jogo desde a esplanada do clube. As coisas não estavam a correr bem e apesar de não estar a jogar mal, o meu adversário estava a jogar muito bem, de maneira muito agressiva, roubando-me tempo de reação. Apesar de estar a ser equilibrado, pois quase todos os “games” iam às vantagens, os pontos importantes caiam sempre para o lado dele, revelando que o meu adversário estava mais forte no plano psicológico. Esses pontos decisivos eram jogados ainda com mais convicção pelo seu lado e eu pelo contrário jogava-os mais a medo. Deste modo o primeiro parcial foi fechado a 2:6 (a meu desfavor) e o segundo set estava caminhar a passos largos para ser concluído da mesma maneira e assim perder o encontro. Passados cerca de uma hora e 15 minutos de jogo, com o sol a pique, encontrava-me cansado e depois de perder o primeiro set, o segundo já ia 2:5 a meu desfavor (faltava a penas um “game” para perder o encontro). Sentia-me desmoralizado e a ponto de desistir. Mas no oitavo game, no meu serviço começo a pensar que sou mais forte que isso e que jamais poderia perder daquela maneira. Poderia perder mas nunca deixando de dar o meu máximo e sem medo de arriscar, sem medo de tentar. E foi isso que aconteceu, comecei a arriscar mais nos momentos mais importantes. Comecei a utilizar o campo na sua profundidade, a colocar mais pressão no adversário, sobretudo sobre a sua esquerda e pondo-o a correr. Comecei de seguida a recuperar e a ganhar jogo após jogo, ganhando cada vez mais confiança e deixando o meu adversário cada vez mais frustrado e desgastado pois tinha o jogo praticamente ganho uns minutos atrás. Acabei por ganhar esse set e o seguinte, acabando por fechar o encontro e arrebatar o segundo lugar.

Na vida empresarial, tal como no Ténis, se queremos e temos ambição de ser muito bem-sucedidos temos de arriscar, de saber encarar a derrota e não desistir, de voltar a tentar. No ténis ganha quem é consistente, mas arrisca nos momentos certos. É um risco calculado e estudado. Isso prepara-se nos treinos. Na vida empresarial também nos devemos preparar para esses momentos e não ter medo de arriscar no momento certo, no momento em que estamos preparados, no momento em que arriscamos porque sentimos que analisamos e compreendemos bem o risco. O retorno até pode não ser imediato, mas certamente acontecerá, pois cada derrota nos prepara ainda melhor para o confronto seguinte.    

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
09/05/2014
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