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NOTÍCIAS A nova Industrialização Portuguesa
Um dos fenómenos mais interessantes, a meu ver, desta crise financeira que ainda assola o nosso país é a transformação que está a provocar na mentalidade dos portugueses, especialmente nos jovens. Quando me licenciei em Economia em 2002 na Universidade Nova de Lisboa, (faculdade que sempre esteve na vanguarda em Portugal), pouco se fomentava o empreendedorismo em detrimento de uma carreira em grandes companhias, grandes referências na formação de quadros de direção. O sonho de cada recém-licenciado, depois de assistir nas universidades às apresentações dos vários grupos nacionais e internacionais nas indústrias que recrutavam em massa (distribuição de bens de consumo, consultadoria, banca e seguros, telecomunicações) era ser selecionado pela sua empresa de eleição. Hoje assistimos a uma valorização do empresário, ao reconhecimento de quem assume riscos e na rica experiência profissional que isso traz.

Além disso, o desemprego disparou nos últimos 3 anos, sobretudo nas camadas mais jovens, pondo em causa o investimento de toda uma carreira universitária. As indústrias que outrora recrutavam em massa, são as que mais sofreram com a crise financeira e têm estado desde então em processos de downsizing. A criação de emprego passa pois pela criação de novas empresas e no apoio e estímulo do empreendedorismo.

O país tem de encontrar uma solução para manter as contas com o exterior equilibradas ao longo do tempo e para que isso aconteça é muito importante reter mais valor acrescentado nas nossas exportações. Portugal não pode seguir um modelo de desenvolvimento como o Chinês, onde se ancora a grande produção industrial na produtividade da sua mão-de-obra muito barata. A China produz a título de exemplo muitos Iphones, exporta-os para os EUA para depois daí se distribuírem para o mundo inteiro, mas a grande margem é retida nos EUA, criadora da marca. Creio que este fenómeno já está a acontecer pouco a pouco em Portugal, outrora exportador de calçado que era posteriormente vendido sobre a insígnia de grandes marcas Italianas e Francesas. Neste momento já se criam marcas Portuguesas de calçado que se vão afirmando nos mercados internacionais. E no sector tecnológico também já se lançaram recentemente muitas empresas com soluções inovadoras e com potencial de conquistar para além fronteiras. 

A internet e a ajuda das incubadoras de empresas permitem a jovens empresários realizarem pesquisas e prospeção de mercado de maneira gratuita. Existem igualmente disponíveis na internet soluções de gestão tendo por base softwares gratuitos adequados às necessidades da maioria das empresas nos primeiros meses de vida. Tudo isto reduz e muito as necessidades de fundo de maneio inicial e permite a qualquer pessoa com uma boa ideia de negócio e muita determinação poder tentar dar vida ao seu projeto. Os novos empresários têm hoje plena consciência de que os seus planos de negócio e de ação passam por conquistar um mercado que é cada vez mais global. E quando se toma a decisão de crescer, de se internacionalizar, existem firmas de investimento, fundos de capital de risco que podem participar em aumentos de capital e contribuir para uma gestão mais profissional.    

O mundo continua na rota da globalização e os Portugueses estão, mesmo que forçados a isso, a responder bem às exigências do mundo moderno. Espero que se continuem a criar muitas e boas empresas em Portugal e que os novos empresários aprendam a capitalizar as suas empresas e a prepará-las para tempos difíceis, que sempre aparecem. O investimento tem ser constante, só assim é que empresas pequenas se fazem grandes empresas.  

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
30/05/2014
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