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NEWS Alavancagem Financeira Excessiva
A notícia que atualmente é capa assídua na maioria dos jornais portugueses, referente aos problemas financeiros do Grupo Espírito Santo, vem tocar novamente na problemática da cultura de excessiva alavancagem financeira dos tempos modernos e que contribuiu para a queda do gigante americano Lehman Brothers.

Apesar de este problema ser comum às várias economias desenvolvidas e não só, em Portugal a falta de capitalização das nossas empresas é uma realidade mais forte quando comparada, por exemplo, com a maioria dos nossos parceiros Europeus. Os grandes Grupos Portugueses refizeram-se aquando da onda de privatizações que se iniciou nos finais dos anos 80. As famílias Portuguesas tinham sido economicamente devastadas pela revolução de Abril e como tal, o capital para investimento era muito escasso. Nos períodos que se seguiram Portugal traçou um caminho de algum crescimento económico e as famílias queriam manter o controlo das suas empresas mas ao mesmo tempo faze-las expandir apesar dos seus limitados recursos. Com a entrada de Portugal na Zona Euro e acesso a dinheiro barato a alavancagem alastra-se um pouco por toda a economia Portuguesa e as grandes famílias conseguem manter o comando dos seus grupos e ao mesmo tempo financiar o seu crescimento. 

No entanto, quando a alavancagem financeira é excessiva, os mercados e as entidades financeiras podem recear maus tempos e fazer com que o refinanciamento, o “roll over” desses passivos seja impossibilitado. Mas mesmo que este cenário não ocorra, imprevistos podem acontecer e uma descida não prevista da receita pode impedir que se consiga fazer face aos encargos financeiros. Em ambos os casos a insolvência é inevitável. Por isso, a alavancagem elevada permite multiplicar rendimentos em tempos de crescimento mas pode deitar tudo a perder em tempos de crise. É uma aposta arriscada!

Além disso, alguns dos maiores Grupos Empresariais Portugueses diversificaram os seus investimentos por vários sectores de atividade não relacionados com os respetivos core-business e com fatores críticos de sucesso diferentes e por isso não replicáveis nas muitas das competências que explicavam o sucesso nos sectores originais. Adicionalmente surgem múltiplos conflitos de interesse onde muitas decisões são tomadas tendo em conta o benefício de alguns acionistas, de algumas empresas em detrimento do Grupo como um todo, em detrimento de todos os “stakeholders”. A grande influência destes Grupos também levou a fortes ligações com órgãos de poder e isso tornou-se muitas vezes perverso não só para a própria sociedade mas por vezes também para o próprio Grupo. Os grandes conglomerados estão em desuso pois provaram retornos acionistas abaixo do expectável. Com mercados de capitais abrangentes e a funcionar com transparência, qualquer investidor consegue individualmente diversificar os seus investimentos.

O resultado pode ser devastador como se assiste no universo ES onde a contaminação entre vários setores, empresas, investidores poderá escalar uma crise a grandes proporções. Será importante que os gestores sejam mais prudentes, contemplem vários cenários e comecem rapidamente a capitalizar as suas empresas e a reduzir o endividamento assim como criar reservas de liquidez. Esta crise de sobre-endividamento está longe de estar resolvida e os holofotes voltam-se agora para os níveis de endividamento “corporate”.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
25/07/2014
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