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NOTÍCIAS Taxas de Juro em Mínimos Históricos
O BCE voltou a diminuir em Setembro a taxa de refinanciamento, atingindo a nova mínima histórica de 0,05%. Este é o custo que os bancos têm de pagar ao BCE quando pedem os empréstimos semanais regulares à instituição.

O impacto mais eminente que esta medida tem no dia-a-dia das pessoas está relacionado com os empréstimos contraídos junto de instituições financeiras e que estejam indexadas ao Euribor, sendo que esta se ajusta posteriormente a movimentos na taxa diretora. Se os bancos passam a poder pedir dinheiro emprestado mais barato junto do BCE, por lógica a taxa interbancária (EURIBOR) também se reduz. Assim sendo a prestação desses empréstimos, onde normalmente o crédito à habitação tem maior peso no orçamento familiar, vão continuar a descer. 

Mas será que as consequências são todas boas? A resposta é não. E começamos por uma análise à atividade bancária. Em cenários de taxas de juro baixas, os bancos geram menos produto bancário em termos absolutos e para tentar contrariar esse efeito tipicamente aumentam o spread aplicado aos empréstimos concedidos. É por isso espectável que uma das consequências desta descida da taxa de refinanciamento seja um aumento médio do spread aplicado a novo crédito concedido. Mas no meu entender, o efeito mais perverso tem que ver com o incentivo na procura de investimentos com maior risco fazendo antecipar uma subida dos preços e consequentemente criando uma relação muito desnivelada no rácio risco/retorno num conjunto alargado de ativos. Aliás, o próprio BCE com os seus programas de compra de ativos do sector privado não financeiro vai influenciar a subida dos preços. O BCE está preocupado com a estagnação da economia da Zona Euro e com os sinais de potencial deflação (a inflação anualizada da zona do euro caiu em agosto um décimo até 0,3%) e por isso tenta a todo o custo reanimar a economia. A deflação é um perigo para qualquer economia, pois o antecipar de descida de preços trava o consumo e como consequência o investimento e desenvolvimento económico. Por isso, os seus motivos são muito entendíveis e bem recebidos mas não vêm desacompanhados de risco. Aliás, é nestas alturas de taxas de juro muito baixas que se formam as típicas “bolhas” de mercado formadas por excesso de liquidez e procura desmesurada por rentabilidade. O BCE vai por isso estar muito atento a todos os indicadores económicos da Zona Euro para que possa atuar rapidamente sobre qualquer indício de bolha especulativa.

Mas todos nós, grandes ou pequenos investidores temos de estar muito atentos ao evoluir dos acontecimentos, ao desenvolvimento dos mercados e fazer análises mais exaustivas e conservadoras relativamente ao valor dos ativos. Alguns mercados já deixaram de estar baratos e o retorno expectável pode já não ser suficiente face ao risco.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
03/10/2014
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