PRIVATE AREA | REGISTER EN PT ES
Login
NOTÍCIAS Ser-se Empresário em Portugal
Lançar-se no mundo empresarial por conta própria é um risco elevado em qualquer parte do mundo. Os riscos são altos e por isso ser-se empresário implica a existência de determinadas características não comuns à maioria das pessoas. Especialmente neste panorama de crise em que vivemos deve-se incentivar à criação de empresas pois tenta resolver o problema do desemprego ao mesmo tempo que o da desigualdade social, mas há limites. A realidade é que a maioria das pessoas não tem perfil para poder assumir tamanho risco e conseguir viver na incerteza que são os primeiros meses ou anos antes de que o negócio consiga prosperar. Os EUA são talvez o maior berço incubador de novos negócios e esta característica parece estar relacionado com o grau de desenvolvimento dos próprios países. Os EUA tem desde há muito tempo vários meios de capitalização/ financiamento de novos negócios assim como serviços que suportam e apoiam as novas iniciativas. Mas o processo inicia-se antes, já nas universidades americanas fomenta-se a criação de ideias e a sua transformação em negócio, com programas específicos e até linhas/patrocínios de apoio inicial. 

Em Portugal já começam a existir algumas incubadoras que apoiam os novos empresários e também lhes facilitam capital de entrada. Desde o governo de José Socrates que se consegue abrir uma empresa na hora o que é um bom avanço. Mas ainda há muito a fazer, e do lado do Governo exigem-se maiores esforços no combate à burocracia, na demora dos licenciamentos, na lentidão dos tribunais, embora algumas reformas já tenham sido feitas pelo atual executivo no sentido de agilizar alguns processos. Mas ainda continua a ser muito visível a pequena corrupção que impede os mais competentes de fazer negócio e isso bloqueia o investimento e a inovação. Aliás, existem vários Grupos Portugueses com os seus tentáculos e influências exercidas em vários sectores de atividade económica.

Mas existe uma característica nossa, do povo português que dificulta todo o processo. Somos pouco avessos à mudança e muito lentos na tomada de decisão. Quando nos apresentam uma empresa nova que nos pretende vender um produto inovador, um serviço mais eficiente, etc, os receios quanto à fiabilidade e a falta de track record de uma start up fazem tremer o potencial cliente Português. Acresce que a mudança de fornecedor, a contratação de mais um prestador de serviços é um processo muito moroso, mesmo que faça todo o sentido. As empresas portuguesas são normalmente muito hierárquicas, principalmente as maiores, e como quase todas as decisões tem de ser tomadas em comité executivo, isso atrasa o processo. Acresce que muitos interlocutores das empresas não tem contacto direto e permanente com o órgão de decisão.

Se por um lado cabe ao Governo fazer mais e continuar a reformar, por outro lado todos nós nos nossos postos de trabalho temos de contribuir para o processo de inovação e na abertura de portas para os melhores, os mais eficientes. Tem de se dar uma oportunidade a quem quer vencer caso contrário não saímos deste fosso.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
17/10/2014
ÚLTIMAS NOTÍCIAS