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NEWS Testes de Stress
Vieram recentemente a público os resultados dos famosos testes de stress aos bancos Europeus. Estes testes indicam-nos as perdas que os bancos teriam em situações económicas adversas e o impacto nos seus rácios de capita. Se o capital for inferior a um determinado limiar este banco não passará no teste e terá de tomar medidas corretivas rapidamente. Mas o que realmente interessa para os Portugueses é perceber se o sistema financeiro Português está mais sólido e em condições de ajudar na recuperação económica do País.

Estes testes revelaram-se importantes na medida em que os testes anteriores tinham falhado no esclarecimento sobre os resultados, no grau de exigência e na compreensão dos mesmos. Aliás, alguns dos bancos que tinham passado inequivocamente os testes mostraram mais tarde muitas debilidades financeiras. 

Os resultados para os bancos Portugueses foram satisfatórios, a CGD passou, o BCP teria passado se fosse analisado o Balanço de 2014 e o BPI foi um dos melhores bancos a nível Europeu. Sabendo que os testes foram agora muito mais exigentes, e a prova disso é a maior percentagem de chumbos face aos últimos testes, podemos sem dúvida ter mais confiança no nosso sistema financeiro. Mas o que se espera é não só uma maior confiança por parte dos clientes mas também uma resposta inequívoca por parte dos bancos mais saudáveis na hora da concessão de crédito. Desde 2008 que a redução na concessão de crédito por parte dos Bancos Europeus às empresas atingiu um declínio de cerca de 11% segundo o Banco Central Europeu, ao contrário do que aconteceu nos EUA onde a concessão de crédito aumentou. Uma inversão desta tendência é pois primordial.

O panorama do nosso sistema financeiro não foi, contudo totalmente submetido a exame uma vez que o Novo Banco e demais bancos de menor dimensão como o Banif, Montepio, entre outros não participaram destes testes. E a situação do Novo Banco terá implicações em todo o sistema financeiro através do Fundo de Resolução e esse risco não foi tido em conta nestes testes (nem poderia pois a fotografia foi tirada a Dezembro de 2013).

Os testes de stress abriram o caminho para que o Banco Central Europeu passe a assumir plena autoridade sobre os bancos do Velho Continente. É expectável que passe a endurecer gradualmente os testes com o intuito de aumentar a sua credibilidade. Uma das possíveis medidas a adotar, assim como os Americanos já o fazem, seria incluir o chamado rácio de alavancagem financeira. Este critério é interessante por ser menos vulnerável à manipulação. Já tudo o que envolve a avaliação de colaterais por parte dos bancos é o que requer mais atenção por parte dos reguladores por ser mais suscetível a ambiguidades e manipulação.

Pelo menos estes testes dão-nos a perceber que tanto os bancos como os reguladores têm aprendido com a crise que se instalou desde 2008 e tem progredido no sentido de dar mais confiança ao sistema. Ainda há muito trabalho a fazer, tanto por parte de alguns bancos mais vulneráveis que terão de continuar a reduzir os seus balanços e fortalecer os seus rácios como dos bancos mais sólidos no seu compromisso com o crescimento económico.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
31/10/2014
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