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NEWS O Caso da PT
Um dos temas mais badalados nos media portugueses atualmente é a situação da Portugal Telecom. Muito se tem falado sobre este tema, inclusive algumas ilustres personalidades que têm vindo a público tentando apelar ao Governo para que impeça o seu processo de venda. Assumo que não percebo o racional e a lógica de pensamento de muitas dessas vozes.

A PT tornou-se numa das maiores empresas Portuguesas na década de 90, sendo o resultado da fusão entre as entidades públicas Telecom Portugal, Teledifusora de Portugal, Telefones de Lisboa e Porto e Marconi. Entre os anos de 1995 e 2000 ocorreram 5 fases de privatização deixando o Estado Português com uma percentagem muito pequena (500 ações apenas), mas com direitos especiais associados (golden share) que lhe permitia tomar as rédeas em decisões estratégicas importantes.
 
O fim dos direitos especiais do Estado foi decidido em Assembleia Geral da PT no Verão de 2011, sendo esta uma das imposições da ‘troika', eliminar a golden share em todas as empresas onde existisse. Um ano antes, no Verão de 2010 a PT vendia a joia da coroa, os seus 50% de participação na Brasilcel, controladora da Vivo, à Telefónica. Esta empresa já era responsável por quase 50% dos resultados do Grupo Português e um dos pilares da estratégia da PT. Nessa altura o Estado Português usou os seus direitos para recusar a primeira oferta da Telefónica e assim não dando outra saída aos Espanhóis que aumentar a oferta (cerca de dez anos antes, a PT e a Telefónica usaram a sua parceria criada para aquisições de ativos no exterior e em conjunto adquiriram o controlo da Telesp Celular, então dona da Vivo). Com esta intenção da Telefónica a relação entre os dois Grupos foi-se deteriorando e a Telefónica acabou por conseguir o que queria mas a um preço muito elevado. O acordo previa a venda da Vivo aos espanhóis por 7,5 mil milhões de euros. Simultaneamente, o conselho de administração da PT assinava um memorando de entendimento que previa a compra de uma posição equivalente a 23% dos direitos económicos da brasileira Oi, num investimento de mais de 3,75 mil milhões de euros. Assim agradava-se o Governo que tinha vetado a primeira oferta da Telefónica alegando a necessidade de manter a PT com uma dimensão internacional.

A PT vende assim a sua participação de 50% num ativo muito valioso e usa parte desse dinheiro para rapidamente comprar uma participação minoritária noutra empresa de telecomunicações Brasileira que atravessava um momento difícil de progressiva perda de quota de mercado e estava já algo descapitalizada. A PT acabou por comprar um ativo difícil, sem poder de controlo e ainda por cima a múltiplos altos. O depressa é inimigo do bom e a perseguição desta estratégia de internacionalização a todo o custo colocou a PT num caminho sinuoso e perigoso.

Mas o que acabou por enfraquecer ainda mais a situação da empresa foi o caso do GES, a perda de cerca de EUR 900 milhões colocado em papel comercial do Grupo ES e a perda de um dos mais antigos acionistas de referência da PT, o BES. A equipe de gestão da PT perdeu credibilidade e isso sim contribuiu para um menor apoio acionista e divisão entre os órgãos de poder.

Mas o que na minha opinião é mais importante para os Portugueses é a competição no sector das telecomunicações e nesse sentido estamos muito melhor agora que na década de 90 onde existia uma situação de monopólio. Relativamente a outro ponto defendido por muitos ilustres, a manutenção dos centros de decisão em Portugal, desde há muito tempo que a maioria do capital da PT encontra-se disperso por entre acionistas internacionais e por isso os destinos da companhia encontra-se há muito nas mãos de estrangeiros.

Se a PT será adquirida por Franceses, Ingleses ou Angolanos, na minha opinião isso não deveria ser um fator de diferenciação. No momento os principais acionistas até são brasileiros por via da fusão com a OI e nessa altura poucas vozes se levantaram contra.

Para concluir, relativamente ao polo de inovação onde a PT é amplamente reconhecida, se este é de facto um dos grandes ativos da companhia, qualquer comprador vai querer preserva-lo e até desenvolve-lo. Se existem muitos interessados na compra da PT, quer dizer que a companhia e os seus ativos tem um valor muito interessante e que pode ser ainda melhor potenciado. 

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
21/11/2014
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