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NOTÍCIAS A Grécia e a União Europeia
A situação dramática na Grécia tem-se arrastado já há demasiado e de maneira a ganhar-se tempo, mas os problemas não se resolvem sozinhos e já é óbvio para todos que uma restruturação da sua dívida pública é por demais inevitável.

A saída da Grécia da Zona Euro é um cenário a meu ver de difícil execução pois implica uma decisão do seu povo e que segundo os resultados das últimas sondagens tem interesse em manter-se na moeda única. Caso isso aconteça, demorará tempo e terá um impacto no curto prazo dramático para o povo Grego. A moeda desvalorizará brutalmente e aumentará substancialmente o risco de default dos créditos em euros. Mas se for concedido o alívio à população, quem terá de suportará esse fardo serão os bancos gregos que não aguentarão por certo esse impacto. Nesse cenário um default generalizado do país será inevitável e a credibilidade do país será afetada por muitos e bons anos. O reverso da medalha será a maior competitividade das suas empresas que aumentará as suas exportações, embora a economia real demore sempre mais tempo a ajustar que os movimentos financeiros.

Mas esse cenário também não será do interesse da União Europeia, pois implica além de perdas financeiras, a constatação dum fracasso das políticas económicas seguidas. Além disso, o tempo que este processo demorará trará um clima de incerteza que acabará por arrastar os mercados e o sentimento económico em toda a União que está neste momento à espreita dum crescimento consolidado e sem sobressaltos.

No atual contexto politico e económico em que o Mundo se encontra existem já demasiadas dores de cabeça para os líderes Europeus: 1) o conflito entre a Rússia e a Ucrânia; 2) a descida abrupta do preço do petróleo e o seu impacto nalguns países exportadores e com relacionamentos comerciais importantes com a União Europeia; 3) A ameaça cada vez mais preocupante do Estado Islâmico. A Grécia é mais um problema, mas de mais fácil resolução e com impacto relativamente modesto pois o seu PIB representa apenas uma pequena fração do PIB Europeu.

Em qualquer dos cenários, a Grécia como Portugal precisam de continuar a seguir uma série de reformas que façam emagrecer o seu Estado e tornar a economia mais ágil e competitiva. Para se alcançar um equilíbrio entre as reformas e o crescimento vai ser imperativo negociar a velocidade e intensidade dessas mesmas reformas de maneira a aliviar-se um pouco a carga fiscal, diminuir-se o desemprego e alcançar-se um crescimento sustentável. Mas que não se tenha dúvidas, um choque da moeda dará certamente um impulso a médio prazo mas não resolve os desequilíbrios estruturais e mais tarde ou mais cedo outro ciclo económico nefasto surgirá. Basta olhar para a história para se aprender com o que já aconteceu em muitos países, incluindo o nosso.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
13/02/2015
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