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NEWS Instabilidade
Passados quatro anos desde que fomos resgatados pela Troika, estamos de melhor saúde sem dúvida, mas engane-se quem pense que o “mar” está calmo e que os próximos anos vão ser de maior facilitismo face ao que temos vivido ultimamente!

Vivemos tempos de grande instabilidade, como provam estes sete eventos muito relevantes que faço destaque: 1) a queda do preço do petróleo e o consequente efeito importante de redistribuição da riqueza entre países produtores e consumidores; 2)  a existência de tensões geopolíticas no leste Europeu e médio oriente envolvendo países e agencias multilaterais em todo o mundo, consubstanciadas em volta de guerrilhas locais sem fim à vista e que deixam um crescendo rasto de crises humanitárias gigantescas; 3) os efeitos devastadores desta grave crise financeira e económica deixaram marcas na sociedade e estão a criar movimentos políticos radicais perigosos dentro de alguns países; 4) o desmoronar do Grupo Espirito Santo e o seu efeito domino a nível nacional; 5) o perigo do risco de deflação que paira sobre muitas das economias desenvolvidas; 6) o grave escândalo de corrupção no Brasil que catapultou todo este início de crise económica que se está a instalar no país; 7) o escândalo recente do Grupo VW e que pode gerar um efeito de desconfiança muito difícil de gerir dentro do sector automóvel e que por certo contaminará muitos dos sectores de rede e que poderá inclusive alargar até outras indústrias.

Esta instabilidade gera apreensão, muita incerteza e desconfiança e isso tem impacto no investimento e na movimentação de capitais. Aliás, veja-se a derrocada que tem acontecido recentemente nos mercados de capitais das várias praças mundiais, cujo efeito só não é mais exagerado pelo efeito atenuador dos programas de quantitative easing de alguns bancos centrais. O caso da VW não só arrastou consigo o sector automóvel como os índices bolsistas como um todo, ou seja, praticamente nenhuma empresa cotada ficou imune. Quando se abala a reputação de uma das marcas mais cotadas no mundo inteiro, percebe-se que os valores apregoados não condizem muitas vezes com a realidade.  

A economia é hoje tão globalizada que o efeito dominó é muito grande e os acontecimentos cada vez mais imprevisíveis podem condicionar o curto e médio prazo, fazendo a previsão do longo prazo um ato de pura especulação. 

Retiro disto tudo algumas conclusões: 1) O mundo ainda está longe de ser um sítio pacífico e previsível; 2) A economia de mercado e de livre concorrência é o único caminho para o desenvolvimento mas alguns controles tem de ser mais apertados e o castigo mais severo para os infratores; 3) O gestor tem de se focar naquilo que melhor consegue controlar e prever, sendo forçosamente muito cuidadoso na expansão dos negócios; 4) Uma boa diversificação é um fator chave para qualquer investidor, mas é cada vez mais difícil de se atingir por força da economia global; 4) A solidariedade entre países e povos será cada vez mais importante para se ultrapassar muitos dos prolemas que ai vem.

João Boullosa
Managing Partner
DUO Capital

VIDA ECONÓMICA
02/10/2015
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